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terça-feira, 17 de abril de 2012

Inédito


Nunca te foram ao cu,
Nem nas perninhas, aposto!
Mas um homem como tu,
Lavadinho, todo nu, gosto!

Sem ter pentelho nenhum
Com certeza, não desgosto,
Até gosto!
Mas... gosto mais de fedelhos.

Vou-lhes ao cu,
Dou-lhes conselhos,
Enfim... gosto!

António Botto, Antologia de poesia portuguesa erótica e satírica

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Anda, vem


Anda, vem... por que te negas,
Carne morena, toda perfume?
Por que te calas,
Por que esmoreces,
Boca vermelha — rosa de lume?

Se a luz do dia
Te cobre de pejo,
Esperemos a noite presos num beijo.

Dá-me o infinito gozo
De contigo adormecer
Devagarinho, sentindo
O aroma e o calor
Da tua carne, meu amor!

E ouve, mancebo alado:
Entrega-te, sê contente!
— Nem todo o prazer
Tem vileza ou tem pecado!

Anda, vem!... Dá-me o teu corpo
Em troca dos meus desejos...
Tenho saudades da vida!
Tenho sede dos teus beijos!

António Botto, Canções
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