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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Soneto luxurioso VI


      Atenta bem, ó tu que amando estás
E a quem turva tão doce empreendimento,
Neste que leva a cabo tal intento
Ledamente fodendo onde lhe apraz.

      Sem de qualquer escola andar atrás
Por trepar verbi gratia a todo tento,
Fará feito sem par e a seu contento
O que possa foder sem ver loquaz.

      Vede como nos braços a levanta
Ele, que as pernas dela tem dos lados
E como de prazer já se quebranta.

      Não se perturbam por estar cansados.
Mas o jogo lhes dá ardência tanta
Que fodendo queriam-se finados.

      E retos, sem cuidados,
Ofegam juntos, de prazer frementes,
E enquanto ele durar, estão contentes.

Pietro Aretino, Sonetos luxuriosos
Tradução José Paulo Paes

segunda-feira, 26 de março de 2012

A ninfa e os pastores


Por debaixo de um cobertor,
      No campo de uma hospedaria,
      Benza Deus, com que valentia
Travou-se uma guerra de amor.

Phillis, que gosta de foder
      Como os deuses de sacrifícios,
Pensava em ter maior prazer
      Alternando os dois orifícios.

De Corydon o ansioso nabo
      Que na frente já quase enfiara,
      Molhou com longo beijo para
Pôr no — menos usado — rabo.

Por bem mais comprido, ao caralho
      De Estêvão, em pé de tesão,
Na cona lhe deu agasalho,
      A ele em tantas pugnas campeão.

Uma guerra civil logo há de
      Romper, intestina e feroz,
      Ao se toparem os heróis
Dentro das tripas da beldade.

Numa fúria de sangue e fogo,
      Enristam, empurram, espremem-se,
Almas que se atiram uma à outra
      Envoltas em grumos de sêmen.

O cu da cona separou
      A Natureza por caução.

Sabe Deus que desolação
      Uma guerra assim não causou.

Nem por isso a cena se fecha
      De modo pior que o desejado!
A ninfa jaz batida em brecha
      E os dois pastores esfalfados.


John Wilmot (Conde de Rochester), manuscrito da Real Biblioteca de Estocolmo, século XVII
Tradução José Paulo Paes


In  the Fields of Lincoln's Inn,                 
Underneath a woollen blanket,           
On a flock-bed, God be thanked,       
Feats of active love were seen.               

Phillis, who, you know, loves swiving       
As the Gods love pious prayers,        
Lay most pensively contriving                 
How to use her pricks by pairs.         

Corydon's aspiring tarse,                        
Which to cunt had near submitted,    
Wet with amorous kiss she fitted      
To her less frequented arse.                   

Strephon's was a handful longer,             
Stiffly propped with eager lust —       
In Love's wars no champion stronger —   
This into her cunt she thrust.             

Now for civil wars prepare,                      
Raised by fierce intestine bustle,       
When these heroes meeting justle     
In the bowels of the fair.                         

They tilt and the thrust with horrid pudder;
Blood and slaughter is decreed,         
Hurling souls at one another                   
Wrapt in flanky clots of seed.            

Nature had 'twixt cunt and arse              
Wisely placed firm separation.          

God knows else what desolation       
Had ensued from warring tarse.              

Nor did th'event of what we treat on         
Happen worse than desired:             
The nymph was sorely ballock beaten,    
Both the shepherds soundly tired.    

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A indecência pode ser saudável (Bawdy can be sane)


A indecência pode ser normal, saudável;
na verdade, um pouco de indecência é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.

E um pouco de putaria pode ser normal, saudável.
Na verdade, um pouco de putaria é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.

Mesmo a sodomia pode ser normal, saudável,
desde que haja troca de sentimento verdadeiro.

Mas se alguma delas for para o cérebro, aí se torna perniciosa:
a indecência no cérebro se torna obscena, viciosa,
a putaria no cérebro se torna sifilítica
e a sodomia no cérebro se torna uma missão,
tudo, vício, missão, insanamente mórbido.

Do mesmo modo, a castidade na hora própria é normal e bonita.
Mas a castidade no cérebro é vício, perversão.
E a rígida supressão de toda e qualquer indecência, putaria e relações assim
leva direto a furiosa insanidade.
E a quinta geração de puritanos, se não for obscenamente depravada,
é idiota. Por isso, você tem de escolher.


D.H. Lawrence
Tradução José Paulo Paes



Bawdy can be sane and wholesome,
in fact a little bawdy is necessary in every life
to keep it sane and wholesome.

And a little whoring can be sane and wholesome.
In fact a little whoring is necessary in every life
to keep it sane and wholesome.

Even sodomy can be sane and wholesome
granted there is an exchange of genuine feeling.

But get any of them on the brain, and they become pernicious:
bawdy on the brain becomes obscenity, vicious.
Whoring on the brain becomes really syphilitic
and sodomy on the brain becomes a mission,
all the lot of them, vice, missions, etc., insanely unhealthy.

In the same way, chastity in its hour is sweet and wholesome.
But chastity on the brain is a vice, a perversion.
And rigid suppression of all bawdy, whoring or other such commerce
is a straight way to raving insanity.
The fifth generation of puritans, when it isn't obscenely profligate,
is idiot. So you've got to choose.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

À bela teta


Teta mais branca do que um ovo,
Teta de cetim branco e novo,
Teta que faz inveja à rosa
E mais do que tudo é formosa,
Teta dura, nem teta, sim
Pequena bola de marfim,
Bem no meio da qual aflora,
Rubra, uma cereja ou amora,
Que, aposto com vossa mercê,
Ninguém apalpa, ninguém vê.
Teta de bico cor de sangue,
Teta que nada tem de langue
E, indo ou voltando, não balança,
Quer em corrida, quer em dança.
Teta esquerda, pequenininha,
Sempre distante da vizinha,
Teta que dás fiel imagem
Do restante da personagem,
Quem te vê, que tentação
De te conter dentro da mão
E comprimir-te e apalpar-te;
Mas é melhor deixar-se de artes
E não o fazer, pois prevejo
Que lhe viria outro desejo!
Teu bom tamanho não engana,
Teta madura que dás ganas,
Teta que um só anelo expressa:
"Casai comigo bem depressa!"
Teta que incha e quer ir além
Do corpete que ora a detém.
Oh! felizardo quem te encher
De leite para te fazer,
De ti que és teta de donzela,
Teta de mulher plena e bela.

Clément Marot, tradução de José Paulo Paes

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Epigrama







Aimons, foutons, ce sont plaisirs
Qu'il ne faut pas que l'on sépare;
La jouissance et les désirs
Sont ce que l'âme a de plus rare.
D'un vit, d'un con, et de deux coeurs,
Nâit un accord plein de douceurs,
Que les dévots blâment sans cause.
Amarils, pensez-y bien:
Aimer sans fouture est peu de chose,
Foutre sans aimer ce n'est rien.





La Fontaine
                                                                                         






Amar, foder: uma união
De prazeres que não separo.
A volúpia e os desejos são
O que a alma possui de mais raro.
Caralho, cona e corações
Juntam-se em doces efusões
Que os crentes censuram, os loucos.
Reflete nisto, oh minha amada:
Amar sem foder é bem pouco,
Foder sem amar não é nada.





Tradução José Paulo Paes


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